Pequeno Falcão, Čhetá Čík’ala na língua lakota, era o nome de um amigável chefe indígena. Nasceu em 1836 e morreu em 1900. Era tio-irmão de Cavalo Doido, Tashunka-witko, segundo o sistema de parentesco Sioux. Seu pai foi o xamã Fazedor de Canções.
Toda a sua família era composta por guerreiros que lutaram nas guerras indígenas entre 1860 e 1870. Lutou na Batalha de Little Bighorn e se recusou a seguir Touro Sentado (Tatanka Yotanka) para o exílio canadense, pois estava comprometido a preservar os locais de caça de seu povo e resolveu lutar contra as tropas dos EUA.
Os militares que o conheceram registraram que lutava ao lado de Cavalo Doido, sendo grande orador. Renderam-se formalmente em Fort Robinson (Nebraska) no dia 06 de maio de 1877, onde se apresentaram ao tenente Willian Clark. Junto dele estavam o sobrinho Little Hawk, He Dog, Little Big Man e Iron Crow. Levava no pescoço uma medalha de paz, herdada de pai na Conferência de Paz no North Platte, em 1817, com a imagem do Presidente Monroe. O símbolo de amizade tornou-se meramente decorativo.
No ano seguinte fugiu da reserva e juntou-se ao grupo de Touro Sentado. 250 toldos o seguiram para se juntarem aos 280 toldos de Touro Sentado no Canadá. Os fugitivos de vários grupos reorganizaram o Conselho dos Guerreiros e nomearam Pequeno Falcão seu líder. Durante o verão, praticaram novamente suas danças para promover solidariedade e invocar o Grande Espírito para protegê-los e guiá-los em segurança através das possessões britânicas.
Assim viveram três anos exilados no Canadá, mas faltou alimentação, pois os rebanhos de búfalos, numerosos na década de 1870, desapareceram sob a caça implacável dos caçadores de peles. As famílias iam se rendendo para não morrer de fome e em setembro de 1880 foi a vez de Pequeno Falcão. Foi transferido para a reserva indígena de Standing Rock e depois para outras mais próximas de sua origem. Em 1888 integrou uma delegação Lakota a Washington.
Durante os anos finais de sua vida foi intermediador entre pequenos grupos armados que ainda resistiam em liberdade e oficiais do governo. O nome Lakota é uma autodenominação que significa “amigável, unido, aliado”.
Os Lakota são uma das três tribos Sioux das grandes planícies americanas. Seus territórios localizam-se em Dakota do norte e do sul. Atualmente somam uma população aproximada de 8200 pessoas (2015) e são divididos em sete sub-grupos, entre eles os Oglála, ao qual pertenceu Falcão Pequeno. São originários do baixo Rio Mississipi e adotaram o cavalo por volta do século, tornando-se caçadores de búfalos. O nome que deram ao cavalo significa Cachorro Poderoso (šuŋkawakaŋ). A varíola dizimou mais de três quartos deste povo em 1772. O contato com os não-índios ocorreu em 1804 ao impedir que a expedição Lewis e Clarck de seguir caminho pelo seu território.
A capacidade de liderança dos guerreiros Oglála-Lakota foi posta à prova quando as Black Hills, colinas sagradas dentro de seu território protegido pelos tratados de 1851 foram invadidas por garimpeiros ilegais, resultando na batalha do rio Little Bighorn (1876), último acampamento do General Custer.
Em 1980, a Suprema Corte julgou procedente a ação dos oitos grupos Sioux contra os Estados Unidos e deu ganho de causa, concedendo-lhes uma indenização de 122 milhões de dólares pelas terras sagradas em Black Hills. Os sioux não aceitaram, pois entenderam que se aceitassem o acordo perderiam o direito de reivindicar a devolução das terras. O valor ficou depositado na conta do Escritório de Assuntos Indígenas (BIA), a Funai dos EUA, vinculada ao departamento do interior.
REFERÊNCIAS E FONTES:
Price, Catherine. The Oglala People, 1841-1879. Univ. of Nebraska Press, 1996.
Sandoz, Mari. Crazy Horse. Univ. of Nebraska Press, 1971.
Wikipedia. Lakota People. San Francisco (CA), 2018.
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