O Sol, Pa’ikwara, voltou buscar o irmão menor, a Lua, atendendo o pedido de sua mãe, Ha’i. Jasy havia ficado na casa dos Yrutáu, onde era maltratado. A mãe dos gêmeos estava preocupada e o Sol foi buscá-lo.
Quanto encontrou seu irmão, ele estava muito magrinho. Os olhos estavam fundos. Suas juntas e osso eram visíveis de tão magro. A única coisa que os Yrutáu permitiam que a Lua comesse eram as suas necessidades. O Sol chegou e perguntou porque seu irmão estava tão magrinho (ipiru). A Lua respondeu que os Yrutau o obrigavam a comer coisas horríveis. O Sol o encontrou sentado num banquinho (apyka) e também se sentou. Logo viram que os Yrutau estavam chegando.
A lua escondeu uma varinha na boca e o Yrutau nem percebeu. A lua cutucou o Yrutau que saiu gritando kwá, kwá, kwá. O Sol transformou o Yrutau em pássaro e recomendou que nunca se deve imitar o grito deste pássaro para não ser cutucado por ele. Se for cutucado sua casa ou suas roupas podem queimar.
Depois os irmãos foram até a casa dos Yrutau que estavam fazendo uma festa e comendo uma anta (mborevi) assada. A lua disse que estava com muita fome e o sol perguntou:
- Eles não dão dessa carne assada para você?
- Não, somente eles comem. Respondeu a Lua (Jasy).
Quando os Yrutau foram conferir se a carne já estava assada, viram que estava estragada cheia de bichos. Até a farinha e a xixa estragaram também. Ao ver isso, os Yrutáu disseram para os irmãos jogarem tudo no mato, mas que não comessem, pois na volta confeririam seus dentes para terem certeza.
Quando os irmãos chegaram ao local onde jogariam a carne, o Sol soprou tudo e abençoou a carne da anta que se renovou. Os irmãos comeram a carne com a farinha (hu’i ete), beberam a xixa (kagwi) e ficaram satisfeitos. Antes de voltarem, chamaram o pica-pau pequeno (jarati’i) e a mosca azul (mberu hovy) para limpar sua boca e palitar seus dentes.
O sol recomendou ao irmão que nunca deveria caçar o pica-pau pequeno para não ter dor de dente. Depois que a mosca e o pica-pau fizeram a limpeza de suas bocas, os irmãos voltaram bem tarde à casa do Yrutáu. Ao chegar, os Yrutáu cheiraram a boca dos dois para conferir se não comeram o assado.
O Sol castigou o Yrutáu abrindo bastante a sua boca. O Yrutáu gritava kwá, kwá, kwá e a lua ria. O Sol transformou estes Yrutáu em pássaros e seguiu seu caminho até a casa do Yvyja’u. Os irmãos levaram três frutas grandes para os dorminhocos que queriam mais.
O Sol e a Lua levaram os Yvyja’y até a árvore da fruta grande (Yva gwasu). Os dois subiram nos galhos para derrubar as frutas para os dorminhocos. Como a árvore era muito alta, as frutas caíram na cabeça dos Yvyja’u que saíram gritando: kagwῖryvõ, kagwῖryvõ. E voaram dali.
Depois que fizeram a Yvagwasu, os gêmeos foram até a casa de seu pai.
Yva gwasu ombo’aju rire ohasa ohovy Pa’i kwara gwyvyry ndive.
REFERÊNCIAS E FONTES:
SOUZA, Andreza. O Mito dos Gêmeos. Ano XV. N. 82. Assis: UNESP/Revista Terra Indígena, 2000. P. 150.
Guyrakuéra réra guaraníme, tembikuaatyguápe ha karaiñe'ẽme. Wikipedia, 2019.
NOTAS:
Tags: (anta), (banquinho), (curiango)., (farinha), (lua), (mosca, (pica-pau, Jasy, apyka, azul), Mais...ete, hovy, hu’i, jarati’i, kagwῖryvõ, mberu, mborevi, pequeno)
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