Este é o nome do livro sobre a língua nhe’engatu atualmente falada nos rios Arapiuns e Tapajós. Trata-se de um recurso didático, publicado em 2016 pela UFOPA, em Santarém (PA). O livro foi escrito em duas línguas: português e nheengatu.
A obra começa assim: “no começo, os viventes daqui eram os índios. Eles trabalhavam e cultivavam aqui. Foram eles que apareceram com a maniva aqui. O machado era de pedra. Eles que começaram a fazer as penelas e fornos de barro. Faziam grandes bacias que a gente chamava de igaçabas. Tinham arco e flecha.”
Uma grande contribuição do texto, além da revitalização da língua nheengatu, da literatura e grafismos indígenas, é sua contextualização histórica adornada por belo projeto gráfico.
O livro esclarece que a Cabanagem, iniciada em Belém em 1835, além de uma guerra dos negros, indígenas e empobrecidos contra os poderosos daquele tempo, é lembrada pelos índios do rio Tapajós e Arapuins, descendentes dos cabanos, como uma luta pelo território que começou ali, no interior, e depois se espalhou até Belém.
Contam nesta região que várias lutas se juntaram, foram crescendo, e mais à frente surgiram quartéis-generais dos cabanos em Pinhel, Vila Franca, Alter do Chão e Cuipiranga.
Estas histórias são contadas de geração em geração por mais de 200 anos. Dizem que os avós, inicialmente não podiam contar para ninguém, tinham de ficar calados, mas conseguiram guardar a memória dos que lutaram.
“Por causa deles, nós ainda hoje vivemos na nossa terra. Porque ainda hoje nós, indígenas do rio Tapajós e Arapiuns, lutamos pela demarcação de nossos territórios”.
REFERÊNCIAS E FONTES:
VAZ FILHO, Florêncio Almeida. Nheengatu Tapajowara. 2. Ed. Santarém: SELO gráfica editora, 2016.
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