O povo Navajo, Diné ou Naabeehó, soma mais de 220 mil pessoas vivendo em um território de 6 milhões de hectares e um pib de 50 milhões de dólares, segundo o censo nacional norte-americano de 1990.

Esta nação numerosa, no entanto, chegou próximo do extermínio no século XVIII e XIX no episódio conhecido como a Longa Caminhada. No século XVI eram um povo caçador e coletor que migrou do norte. Atualmente vivem em uma reserva no Arizona e em partes do Novo México e Utah. Se território é uma enorme área que vai desde Grants no Novo México, até o Grand Canyon, no Arizona; de Holbrook, no centro do Arizona até o Rio San Juan, já no Colorado, inclui Monument Valley, parte do Deserto Pintado e parte da Floresta Petrificada.

Do curto contato com os espanhóis, adotaram os cavalos, ovelhas e cabras, ganhando impulso econômico. Em 1846, assinaram um tratado com o governo dos Estados Unidos, mas devido à ganância dos militares, o acordo foi rompido em 1849. Segiu-se um conflito até 1863, quando o coronel Cristóvão “Kit” Carson promoveu uma remoção forçada, após rendição, de dez mil navajos por 600 quilômetros até a reserva de Fort Summer, no Novo México.

A remoção ocorreu no verão de 1864 e cerca de dois mil navajos não sobreviveram à longa caminhada.

Mais recentemente, o povo Ofaié e Kaiowá, entre tantos outros, foram removidos à força de suas terras no período de 1978 e 1979. Foram levados pelo governo brasileiro para a Terra Indígena Bodoquena, Mato Grosso do Sul. A remoção dos Ofaié-Xavante (1978) foi obra da Delegacia da Funai de Campo Grande (MS). Foram transferidos após viverem muitos anos na margem direita do Rio Paraná. Eram aproximadamente 30 índios retirados da Fazenda Boa Esperança, em Brasilândia, região de Três Lagoas, convencidos com promessas de uma vida melhor. Na fazenda havia muita mata e terra boa paras roças, mas a presença dos índios desagradava o fazendeiro, pois sua mão-de-obra não era mais necessária. Em 1981, uma boa parte destes índios já havia morrido em função da desastrosa transferência, falta de ferramentas, sementes e um lugar para erguer suas casas.

Durante a remoção kaiowá de Rancho Jacaré, município de Laguna Caarapã, Mato Grosso do Sul, muitas crianças morreram de sarampo, conforme noticiado pela Folha de São Paulo em 13 de maio de 1979. As casas foram queimadas sob a mira de pistoleiros e os índios foram embarcados em caminhões boiadeiro para Bodoquena, uma terra em grande parte invadida por não-índios. Durante o trajeto de ida, muitos deles morreram, mas o pior estava por vir. Abandonados ao relento como os Ofaié, empreenderam uma longa caminhada de volta à área de onde foram expulsos, caminhando mais de 400 km.

As navalhas dos arrendatários, do garimpo ilegal, dos linhões elétricos e da segurança nacional continuam afiadas sobre o pescoço dos condenados da terra. Em algum lugar haverá justiça para eles?

Estariam os povos indígenas, como Antígona, da tragédia grega de Sófocles, condenados pelo destino a acompanhar pai e mãe expulsos de casa, mandados a pé para as reservas após trabalharem por anos na formação das fazendas, sofrer castigos físicos, desprezo, insultos e todo tipo de injúria por manter suas tradições e voltar ao seu tekoha para visitar os parentes mortos?

Uma sociedade que trata os outros de modo degradante, atropelando de suas casas crianças, velhos e mulheres, queimando templos, destruindo roçados de mandioca, milho, derrubando árvores frutíferas de Pacuri, alimentos como o Jaracatiá, remédios para crianças como o Caraguatá acaba por privar as pessoas de seus direitos mais fundamentais: a vida e a dignidade.

 

REFERÊNCIAS E FONTES:

BRAND, A. (1997). O Impacto da Perda da Terra sobre a Tradição Kaiowá/Guarani. Tese. Pontifícia Universidade Católica – PUC/RS, Porto Alegre.

Comissão Nacional da Verdade (2014). Relatório Final. CNV: Brasília.

 

IMAGENS:

Azevedo, Marta. Despejo de Rancho Jacaré (1979). Audiências da Comissão Nacional da Verdade (CNV): Dourados, 2014.

Tags: Jacaré, Navajo, Rancho

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