La Malinche, Malintzin ou Dona Marina (1496 - 1529) foi uma mulher indígena náuatle da costa do Golfo do México que foi escravizada pelos espanhóis em Tabasco no ano de 1519.
Nasceu em Oluta, Veracruz. Segundo Bernal Díaz del Castillo, os pais de Malintzin eram caciques de um povoado chamado Copainalá. Sua mãe, mulhere influente, chamava-se Cimatl, de acordo com o historiador Gómez de Orozco.
Atuou como intérprete e intermediária do conquistador espanhol Hernán Cortés. Seu filho, Martín, foi considerado o primeiro mestiço europeu-indígena americano. A figura histórica é muito controversa. Seu nome foi dado a um vulcão em Tlaxcala, onde também se pratica uma dança de mesmo nome. A personagem principal é representada por uma máscara de rosto europeu com chifres.
A figura histórica de Marina foi misturada com lendas astecas como, por exemplo La Llorona, uma mulher fantasma que chora até por seus filhos mortos. Sua reputação histórica é cambiante nas muitas perspectivas sociais e políticas, especialmente após a Revolução Mexicana. Foi retratada em dramas, romances e pinturas como uma tentadora malvada ou intrigante. No México de hoje, La Malinche continua sendo iconicamente potente. Ela é entendida em vários aspectos, muitas vezes conflitantes, como a personificação da traição, a vítima por excelência, ou simplesmente como mãe simbólica do novo povo mexicano. Em seu um livro, Matthew Restall apresenta Malinche como representante de um aspectos sombrios da Conquista, a venda de mulheres jovens como escravas. O termo malinchista refere-se a um compatriota desleal, especialmente no México.
Por causa de sua controversa simbolização, uma estátua de La Malinche, Cortés e seu filho Martín foi removida logo após ser erguida em Coyoacan, nos arredores da Cidade do México, em 1982. Muitos protestos estudantis eclodiram, pois os manifestantes não queriam nenhum monumento que apresentasse Malinche de forma positiva, pois em suas mentes ela estava intimamente associada à dominação de forasteiros e à traição.
Os muitos nome de La Malinche são compatíveis com os muitos significados de sua biografia. Seu nome de nascimento era Malinalli, grama para fazer cordas em nahuatl. Mais tarde, sua família acrescentou o nome Tenepal, que significa "aquele que fala muito e com vivacidade". Depois de batizadas, as 20 escravas foram distribuídas por Cortés entre seus capitães espanhóis. Malinalli recebeu o nome cristão de Marina, ao qual os soldados de Cortés acrescentaram o Doña, que significa senhora.
A má pronúncia do Nahuatl de Marina como Malin mais o sufixo "-tzin" reverencial, formou o título composto de Malintzin, que os nativos usaram tanto para Marina quanto para Cortes, porque ele falou através dela.
Hoje, no espanhol mexicano, a palavra malinchismo e malinchista é usada para denunciar os mexicanos que são vistos como negando sua própria herança cultural, preferindo expressões culturais estrangeiras.
Alguns historiadores acreditam que La Malinche salvou seu povo dos astecas, que detinham uma hegemonia em todo o território e exigia tributo de seus habitantes. Alguns mexicanos também a creditaram por ter trazido o cristianismo para o Novo Mundo da Europa, e por ter influenciou alguma humanidade em Cortés. Argumenta-se, no entanto, que sem sua ajuda, Cortés não teria sido bem sucedido em conquistar os astecas tão rapidamente, dando tempo suficiente para se adaptar a novas tecnologias e métodos de guerra. Uma das interpretações do arquétipo da Malinche destaca que a personagem é apresentada como bode expiatório da conquista.
La Malinche, além de mulher legendária, é um símbolo arquetípico da cultura mexicana. Aparece em ópera, na série Startrek, no cinema, em romances, na música popular e na literatura. O poeta Otávio Paz, na obra o Labirinto da Solidão, a considera mãe da cultura mexicana.
 
REFERÊNCIAS E FONTES:
RESTALL, M. When Montezuma Met Cortés. New York, 2018.
RODRÍGUEZ, A. M. Espectadores podrán conocer el enigma del huipil de La Malinche. México: Jorbada, 2011.
 
IMAGENS:
OROZCO, J. C. Cortes e Malinche. México, 1926.
SAHAGÚN, B. de. Malīnalli – Glifo. Codex Florentinus.
TENOCHTITLAN. Tierra del nopal. Entrada de Hernán Cortes, la cual se verifico el 8 de Noviembre de 1519. Original: ca. 1550 (fac. 1890).

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