UMA VEZ O MACACO VISITOU A ONÇA, SEU COMPADRE, NA BEIRA DA MATA, MAS O JAGUARETÊ ESTAVA CAÇANDO. A ONÇA, ALÉM DE CAÇAR, COLHIA FRUTAS E OUTROS ALIMENTOS PARA SUA ESPOSA.

O MACACO ESCOLHEU JUSTAMENTE O DIA EM QUE ONÇA NÃO ESTAVA PARA VISITÁ-LA. AS ALDEIAS, NAQUELE TEMPO, FICAVAM DISTANTES E AS VISITAS DURAVAM DOIS OU TRÊS DIAS.

JÁ ERA TARDE E O MACACO PRECISOU DORMIR NA CASA DO COMPADRE.

A ONÇA CAÇARIA POR UNS TRÊS DIAS, MAS O MACACO PLANEJAVA FICAR NA CASA DO COMPADRE. ENTÃO, ELE PEDIU PARA DORMIR ATÉ QUE O COMPADRE VOLTASSE.

A MULHER DA ONÇA ACEITOU HOSPEDAR O MACACO EM SUA CASA. ANTES DE DORMIR, MOSTROU AO MACACO O LUGAR ONDE ELE DEVERIA DEITAR. ERA A COZINHA DA CASA.

MAIS TARDE, NA MESMA NOITE, O MACACO RECLAMOU QUE TINHA MUITO PERNILONGO NA COZINHA E PEDIU À COMADRE QUE O DEIXASSE DEITAR NO QUARTO, PERTO DE SUA CAMA.

ASSIM QUE DEITOU, O MACACO INVENTOU QUE HAVIA UM FORMIGUEIRO NO CHÃO. A COMADRE PERMITIU QUE ELE DEITASSE NA CAMA, MAS EM POSIÇÃO CONTRÁRIA À SUA.

O MALICIOSO MACACO KA’I AINDA NÃO ESTAVA SATISFEITO, POIS SUA INTENÇÃO ERA NAMORAR A ESPOSA DA ONÇA.

O MACACO RECLAMOU QUE A UNHA DA ONÇA O ESPETAVA E ENTÃO ELA O DEIXOU DORMIR AO SEU LADO.

FINALMENTE, O MACACO PAROU DE RECLAMAR PORQUE CONSEGUIU SEU OBJETIVO, QUE ERA DORMIR COM A COMADRE.

DORMINDO DO MESMO LADO DELA, O MACACO ACABOU NAMORANDO A MULHER DA ONÇA.

AO AMANHECER, DISSE QUE IRIA EMBORA, MAS NO CAMINHO RESOLVEU TIRAR UMA SONECA SOBRE UM TACURU, CUPINZEIRO.

A ONÇA ESTAVA VOLTANDO PARA SUA CASA COM A CAÇA. AO VER SEU COMPADRE, A ONÇA RESOLVEU BRINCAR COM ELE, ARRANHANDO DE LEVE SUA ORELHA. O MACACO MEXEU A CABEÇA POR DUAS VEZES SEM ACORDAR. NA TERCEIRA, MEIO DORMINDO AINDA, ENTREGOU O QUE FEZ DIZENDO:

- DEIXE-ME DORMIR, ESTOU CANSADO, PASSEI A NOITE TODA NAMORANDO A MULHER DA ONÇA.

O MACACO NÃO IMAGINAVA QUE O IMPORTUNADOR DE SEU SONO ERA O PRÓPRIO XIPOKA’Y, QUE FICOU MUITO BRAVO E PRONTO PARA MATAR O MACACO.

O RONCO FURIOSO DA ONÇA ACORDOU O COMPADRE QUE LIGEIRAMENTE SAIU CORRENDO E SALTOU PARA AS ÁRVORES.

A ONÇA CORREU ATRÁS DELE PARA MATÁ-LO, MAS A HABILIDADE DO MACACO NAS ÁRVORES ERA SUPERIOR À DO JAGUARETÊ.

DEPOIS DE MUITO PERSEGUIR O MACACO, A ONÇA DESISTIU POR AQUELE DIA. ADIOU SEU PLANO, MAS NÃO ESQUECEU DO MACACO.

COM ESTA TRAIÇÃO, A SELVA NUNCA MAIS FOI A MESMA PORQUE NINGUÉM MAIS CONSEGUIU CONVENCER O JAGUARETE A SER SEU COMPADRE.

REFERÊNCIAS E FONTES:

BENITES, Antonio C.. Xipoka’y. EdUFGD: Dourados, MS, 2019.

 

NOTAS:

  1. Pesquisa, organização e adaptação: Neimar Machado de Sousa, doutor em história da educação (UFSCar) e pesquisador (FAIND/UFGD). Karai Nhanderovaigua. E-mail: neimar.machado.sousa@gmail.com
  2. O artigo tem objetivo educacional e formato adaptado às mídias sociais.
  3. A grafia adotada para as palavras indígenas segue as fontes consultadas.
  4. METADADOS: onça. 
  5. IMAGEM:

    JORGE, Misael. Jaguarete. Dourados (MS) – T.I. Panambizinho: EMI Pa’i Chiquito Pedro, 2019.

  

Tags: onça.

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