Antigamente as danças rituais eram consideradas sagradas. O lugar onde estas danças eram praticadas era muito respeitado. Ninguém podia passar diante do Xiru de qualquer jeito e os animais não podiam entrar no seu recinto.

O kaiowá de Amambai Aniceto Ribeiro, anotado por Wilson Galhego, explica que o lugar onde ficava o Xiru (altar) era santificado e zelado. Uma pessoa era preparada para cuidar deste lugar, o Yvyra’ija (aprendiz, auxiliar). Estes auxiliares é que cuidavam deste lugar. Geralmente eram três os cuidadores e um deles era chamado de Nhe’e ngijary (porta-voz). Os demais devem-lhe obediência. Eles cuidavam da cruz (kurusu) e limpavam o lugar.

Há’ekwera upe Kurusu oiha rehe onhangareko ha omopoti arã hikwai.

Estes aprendizes tinham um instrutor que os ensinava.  As danças são feitas em filas e são eles que orientam a posição correta. Os aprendizes são os verdadeiros cuidadores daqueles ambientes. Antes de começar a dança, o cacique aconselha todos. Orientavam sobre a dança que seria realizada.

Antes de fazer parte da dança, havia um treinamento. Não deveria haver namoro nestas cerimônias. Também não deveria haver ódio, nem gritaria ou brincadeiras. Somente pessoas com bom comportamento poderiam tomar parte nestas rodas, adverte Aniceto Ribeiro.

Era preciso aprender a dançar e a dizer “taa” ao final. Enquanto um diz “taa”, os demais deviam permanecer em silêncio. Quando alguma tarefa é delegada a alguém, como preparar um mate, esta orientação deve ser dada ao ouvido. As jovens traziam a bebida com a vasilha e serviam na cuia de purungo. Assim era organizada a cerimônia do Jeroky. Ocorria também de alguém fazer um pedido nestas cerimônias.

 

REFERÊNCIAS E FONTES:

RIBEIRO, Aniceto. GALHEGO, Wilson. Pohã Kwéry. Assis: UNESP/Revista Terra Indígena, 2001.

 

NOTAS:

  1. Pesquisa, organização e adaptaçao: Neimar Machado de Sousa, doutor em história da educação (UFSCar) e pesquisador (FAIND/UFGD). Karai Nhanderovaigua. E-mail: neimar.machado.sousa@gmail.com
  2. O artigo tem objetivo educacional e formato adaptado às mídias sociais.
  3. A grafia adotada para as palavras indígenas segue as fontes consultadas.
  4. Metadados: Yvyra’ija, Kurusu, Jeroky, xiru. IMAGEM: ALMEIDA, Heliodoro de. Yvyra’ija. Aldeia Te’ýikue, Caarapó (MS): SEMED, 2017.

Tags: Jeroky, Kurusu, Yvyra’ija, xiru.

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