A interpretação dos eclipses da lua ou escuridão da lua está prevista no Mito dos Gêmeos dos povos guarani como presságios de catástrofes e resultado do ataque de animais fantásticos ou do próprio diabo, Anhã, a Jasy, o irmão menor do Sol.
Uma destas histórias conta que os irmãos divinos, o Sol e a Lua, chegaram ao local onde o Anhã pescava. A lua disse para o irmão que estava com fome, então o Sol foi pegar o peixe do anzol do Diabo. O Sol puxava o anzol, retirava o peixe e o Anhã caia para trás. O Sol fez assim por três vezes.
A lua disse: - agora é minha vez. Seu irmão aconselhou que não fosse, mas Jasy não o ouviu. A lua deslizou na água e mergulhou, mas como era descuidado, o Anhã a fisgou em seu anzol. Retirou da água e bateu-lhe na cabeça com um porrete. Levou o seu peixe para a mãe de seus filhos.
O diabo já estava cozinhando a lua quando o Sol chegou em sua casa. – Você quer um peixe, perguntou o Anhã.
- Não quero comer isso, respondeu o Sol. – Deixe apenas um pouco do caldo de milho para mim. – Quanto aos espinhos, não os jogue, pois quero recolhê-los.
Tendo recolhido os ossos, recompôs o corpo do seu irmão, fez com uma Palavra viesse habitá-lo e do caldo de milho fez seu cérebro. Cada vez que a lua desaparece, é porque o Anhã a devorou. Quando ela reaparece é porque seu irmão mais velho a ressuscitou.
Quando a lua se esconde, Jasy Pytu, é porque o Anhã tenta devorá-la e ela se recobre do próprio sangue.
REFERÊNCIAS E FONTES:
CLASTRES, Pierre. A fala Sagrada: mitos e cantos sagrados dos índios guarani. Campinas: Papirus, 1990.
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