A filosofia guarani, de acordo com Cadogan, é esotérica em sua comparação com o pensamento grego universalizado no ocidente. No entanto, a interpretação do eclipse indica que se trata de uma forma sofisticada de racionalidade.
Nesta semana, ocorreu um fenômeno astronômico de grande importância no pensamento guarani, um eclipse. As variações na aparência e luminosidade do sol e da lua são fatos históricos na vida dos heróis míticos Kuarahy e Jasy, antepassados dos Guarani e, como tal, com implicações sobre a humanidade.
É comum o estranhamento indígena diante da admiração que toma contra de nós, os não-índios, diante destes fenômenos, pois, para muitos guarani, são prenúncios de catástrofes e grandes perigos para a sobrevivência da humanidade.
Os eclipses resultam dos ataques do Jaguarete Hovy, o jaguar azul, animal sagrado e indestrutível, à lua e ao sol. Este animal é contido na maior parte das vezes pelo criador, Ñamandu, sob sua rede, de acordo com os registros de Clastres (1990) e Cadogan. Nimuendajú também registrou que o Jaguarete Hovy é o guardião do paraíso de Nhanderuvusu, para os Apapokúva guarani.
Os kaiowá têm várias explicações para o fenômeno, além de apresentarem provas objetivas, como as fotos que ilustram este texto, do que dizem. Na Aldeia Panambizinho, em Dourados, MS, foram registradas várias imagens do eclipse e depois comentadas sob a perspectiva indígena.
Paulito Aquino, um dos xamãs desta aldeia, contava que no tempo dos antigos, quando o branco ainda não existia, houve um eclipse do Sol. Um casal de Kaiowá se escondeu em um buraco, e com isso eles se salvaram de serem devorados pelos morcegos famintos, Mbopi Karu ou Mbopi’ete. Esse casal deu origem aos Kaiowá atuais. Cada vez que ocorre um eclipse, estes morcegos descem à terra para devorar as pessoas, podendo destruir a humanidade.
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