Os gêmeos Sol e Lua tinham apenas um mês da idade, mas já andavam e caçavam passarinhos para sustentar a velha onça, sua avó de criação. E assim foram vivendo e também já cresciam mais.

Os gêmeos iam cada dia mais longe para caçar bichos maiores, matavam com o arco. Eles viviam assim e um dia a velha onça disse para eles: - naquela mata eu não quero que vocês vão, naquela li podem caçar, mas na outra não. E a lua queria saber o motivo, mas o sol não disse nada, mas o irmão mais novo queria saber. Ele disse ao seu irmão mais velho: - por que a nossa vó não quer que cacemos naquela mata? O que será que tem lá?

E o sol disse ao seu irmão: - um dia nós vamos lá pra ver o que tem.

E assim continuaram vivendo e um dia resolveram de ir. E a velha cuidava deles para que não fosse até a mata. E chegando ali, eles disseram: - esta é a mata que a nossa vó não queria que conhecêssemos e agora vamos ver, disse o Sol ao seu irmão mais novo e foram andando.

Foram entrando na mata e voou um pássaro de nome Jaku, eles viram e o irmão mais novo queria ser o primeiro a atirar. Quando a lua se posiciou para tirar no jaku, o pássaro falou: - vocês estão cuidando dos que comeram a mãe de vocês.

Os dois largaram os arcos e ficaram olhando o pássaro. Não disseram nada e continuaram a viagem. Não mataram o jakú. Andaram mais um pouco e viram outro pássaro que era o papagaio. Novamente o irmão mais novo queria ser o primeiro a atirar. O papagaio era mais falador e falou para eles: - vocês gostam de fornecer aquela que comeu a mãe de vocês. Esses são os que comeram a mãe de vocês e sentiram muito e choraram. Largaram os arcos no chão e ficaram chorando ali.

 

REFERÊNCIAS E FONTES:

AQUINO, João. Mito dos Gêmeos In: Terra Indígena. Ano XV. N. 82. Outubro 2000. Araraquara: UNESP, 2000. P. 171-172.

 

NOTAS:

  1. Pesquisa, organização e adaptação: Neimar Machado de Sousa, doutor em história da educação (UFSCar) e pesquisador (FAIND/UFGD). Karai Nhanderovaigua. E-mail: neimar.machado.sousa@gmail.com
  2. O artigo tem objetivo educacional e formato adaptado às mídias sociais.
  3. A grafia adotada para as palavras indígenas segue as fontes consultadas.
  4. METADADOS: jaku, parakau, Guyra ñe’engatu.
  5. IMAGEM: GUARANI E KAIOWÁ DE AMAMBAI, Professores e alunos. Pa’ikuara. Amambai, MS: Ação Saberes Indígenas na Escola, MEC, Ed. UFGD, 2019.

Tags: Guyra, jaku, parakau, ñe’engatu.

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