Confinamento é o nome dado à concentração forçada das comunidades kaiowá e guarani em reservas, levando à sua superpopulação, a partir da segunda metade do século XX.
Este é o contexto do movimento indígena pela para recuperação destes espaços perdidos. Nos dias atuais, a situação de superpopulação e abandono estatal das reservas, só é mais grave no seu entorno, nas áreas de retomada, marcadas por violência diária e vigilância armada, como pode ser observada nas imagens registradas no acampamento avaetê, nos arredores da área Nhu Verá, contigua à Aldeia Bororó de Dourados (MS).
A violação dos direitos fundamentais destas pessoas, que não tem um lugar, equipara-se à desumanização. Por esta (des)razão, o termo confinamento aplica-se à política estatal para os povos indígenas, pax brasileira, ou o cerco de paz. A remoção violenta dos indígenas de suas aldeias, transformadas pelo estado brasileiro em fazendas e vendidas, para as pequenas áreas reservadas aos índios era seguida de vigilância estatal para que não retornassem às suas casas.
Este modelo estatal continua reproduzido por agentes do Estado, empresas privadas e proprietários rurais. Algumas destas áreas de confinamento têm população superior a dez mil habitantes como, por exemplo, a Reserva Indígena de Dourados, demarcada pelo Serviço de Proteção ao Índios em 1917 e onde sobrevivem mais de 17 mil moradores das etnias guarani, kaiowá, terena e regionais incorporados por casamento interétnicos. A área desta reserva é de 3.475 hectares.
Esta reserva foi criada em parte do território habitado pelos kaiowá, ka’aguy rusu (mata grande), com denominação religiosa de Kanindeju, arara sagrada. Este território grande consistia numa unidade política e religiosa, mediante a prática de rituais periódicos.
A implantação da Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND) em trezentos mil hectares incidentes sobre o tekoha guasu kanindeju, resultou na expulsão de muitas comunidades de seus territórios tradicionais, iniciando uma ruptura traumática em suas histórias que ainda não cessou e está longe de ser reparada.
REFERÊNCIAS E FONTES:
BRAND, Antônio (1997). O Impacto da Perda da Terra sobre a Tradição Kaiowá/Guarani: os difíceis caminhos da palavra. Tese. Pontifícia Universidade Católica (PUC/RS).
SCHADEN, Egon. Aspectos Fundamentais da Cultura Guarani. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1962.
VIETTA, Katya. Histórias sobre Terras e Xamãs Kaiowá. São Paulo: USP, 2007.
NOTAS:
Tags: Dourados, Tekoha, acampamento, guasu., indígena, kanindeju., reserva
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