Muitos relatos indígenas indicam que os animais vivem em aldeias, têm um cacique, comportam-se como pessoas e podem se apresentam desta forma. Foram criados por Nhanderu e Kuarahy, cada um com uma função específica.
Os animais, segundo o sr. Aniceto Ribeiro, foram feitos neste mundo pelo pai do Sol, Nhanderu, mas sua obra não foi concluída, ficando tarefas para o Kuarahy, o filho. Existem muitos céus (yváy) e em cada destes patamares há muitos animais que nos são invisíveis. Dizem que um palmo de terra para cima não vemos mais. Esta distência chama-se Yvy Endy e assim segue até chegas nas nuvens. Cada espaço destes tem seu nome e tem animais morando.
O espaço, yvaga, onde mora o Xiru também tem seus animais, mas são todos mansos. São semelhantes aos animais que vivem nesta terra, mas forma criados para viver no céu. Estes animais sempre aprecem à noite nos céus porque ali é o seu caminho. O céu é o caminho da anta, mborevi rapê.
No céu vivem outros animais também. Um deles é o avestruz. Dizem que há muito tempo atrás este avestruz esticava o pescoço e denorava gente na terra, mas depois Nhandejara colocou um prego (clavo) para segurar seu pescoço e depois substituiu por uma cruz. Hoje chamamos esta cruz de Jasytata Kurusu, o Cruzeiro do Sul.
Estes animais estão ali desde o começo do mundo e foram deixados assim por Nhandejara até o fim do mundo, quando vão devorar aqueles que não seguiram os conselhos de Nhanderamõi. Agora eles ainda não fazem nada, mas no fim do tempo eles vão devorar a todos. Koagã mba’eve vyteri ndojapoi, pero ára pahape ha’e kuera okaruta.
Junto do Avestruz (Nhandu) há outro animal chamado Sielvo. Quando estes animais descerem não acontecerão coisas boas, mas Nhandejara impede que desçam a pedido dos rezadores (nhanderu) e rezadoras (nhandesy). Há muitos tipos de animais, cada grupo com o seu nome, assim como os índios que cada um tem a sua aldeia e seu grupo, te’ý, explicou Aniceto Ribeiro.
REFERÊNCIAS E FONTES:
BORVÃO, Delfino. Mymba Ka’aguy. Aldeia Limão Verde: Amambai/ASIE, 2019.
RIBEIRO, Aniceto. GALHEGO, Wilson. Nhapykani. Assis: UNESP/Revista Terra Indígena, 2001. p. 366.
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