o povo Ainus ou ainos (アイヌ) é um grupo indígena que vive no Japão e na Rússia. São cerca de 150.000, embora a maioria dos descendentes esconde suas origens devido ao racismo.

A palavra ainu significa pessoa, em oposição a palavra kamui, seres divinos, na língua ainu, em Hokaido. Emishi, Ezo ou Yezo são termos japoneses, os quais se acredita que derivam da forma primitiva da palavra Ainu de Sacalina, enju, que também significa "pessoa". O termo utari (ウタリ), significa "companheiro" na língua ainu, e agora preferido por alguns membros dessa minoria.

A origem do povo Ainu não está cientificamente esclarecida, mas sabe-se que habitam o Japão há milhares de anos e tem origens pré-históricas com possível parentesco com os aborígenes australianos e o povo Jōmon, que viveu entre 14 mil e 300 anos antes de Cristo. O território deste povo está nas ilhas do norte do Japão, Sacalina, Cirullas, Hokkaido e Honshu. As ilhas foram anexadas no século XIX para impedir o avanço russo e por razões imperialistas.

Em 6 de junho de 2008, O Congresso Japonês aprovou uma resolução exigindo que o governo reconhecesse o povo Ainu como indígena ao Japão e estimulasse o fim da discriminação contra o grupo. A resolução reconheceu o povo Ainu como "um povo indígena com uma língua, religião e cultura distintas". O governo acatou a declaração e reconheceu o fato histórico de que muitos ainu foram discriminados e forçados à pobreza com o avanço da modernização, apesar de serem legalmente iguais aos japoneses.

O povo Ainu foi recrutado para o exército japonês em 1898 e serviram na Guerra Russo-Japonesa (1904-1905). Oito dos quais morreram em batalha ou por doença contraída durante o serviço militar e dois receberam condecoração por bravura, liderança ou comando em batalha. Durante a Segunda Guerra Mundial, as tropas australianas envolvidas na campanha da Nova Guiné (1942) foram surpreendidas pelas primeiras tropas japonesas que encontraram. Estes soldados eram de Hokaido.

A língua Ainu está classificado como ameaçada. Estima-se que haja no máximo 100 falantes. O que se sabe da língua é limitade e baseado em fontes históricas, embora tenha evidências que a língua Ainu e a língua japonesa estão relacionadas mediante o mútuo empréstimo de palavras. Uma das características da língua Ainu é a pós-posição de proposições e aglutinação de sufixos que alteram os sbustantivos ou ideias. A língua é escrita em cirílico (russo), alfabeto latino e em katakana (japonês), o que contribuiu para a modificação acelerada de algumas palavras como Kor, segurar, acrescentando vogais no final num processo de nativização da fala.

A cultura tradicional Auni inclua corte de cabelo à altura dos ombros e em semicírculo na parte de trás da cabeça, os homens não se barbeavam após certa idade e as mulheres tatuavam a boca e, às vezes, os antebraços. Os lábios começavam a sere tatuados aos poucos, quando eram ainda jovens, aumentanto o tamanho com a idade. O vestido tradicional era um robe bordado curto feito da casca interna do olmo, chamado attusi ou atadura. O vestido era dobrado era dobrado ao redor do corpo e amarrado com uma faixa na cintura. No invesrno usavam roupas de pela de cervo e botas de pele de cachorro ou salmão. O uso de brincos também era comum entre homens e mulheres.

Os Ainu são caçadores e sua dieta inclui carne de urso, raposa, lobo, texugo, boi ou cavalo, peixe, frangos, milho, legumes, ervas e raízes. Sempre cozido ou assado. As casas eram cabanas de palha com cerca de 6 metros de altura, sem divisões internas, duas portas e janela para o leste. A casa do chefe era o local das reuniões. Sentavam-se no chão em esteiras de junco. Os crimes eram julgados internamente, não havendo pena de morte, mas punição severa para assassinos.

Apenas em 2017, o governo central japonês passou a referir-se aos Ainu como povo indígena, apenas das declarações do Primeiro Mnistro de que o país é uma nação homogênea.

 

REFERÊNCIAS E FONTES:

Sjörberg, Katarina. The returne of Ainu. New York, 1993.

 

IMAGENS: Homem Ainu em 1880 (Heritage of Japan, 2019); Casa tradicional Ainu (Museu da Cultura Ainu de Hokkaido, Japão, 2005); Ainu rezando para seus ancestrais em Hokkaido (Kyodo, 2015).

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