O kaiowá João Aquino de Amambai (MS) narrou que os antepassados das onças que caíram no rio da vingança do Sol e da Lua foram transformados pelo brilho (overá) dos gêmeos em bichos aquáticos (ypóry).
Todos os bichos aquáticos foram feitos pelo brilho do Sol e da Lua e o brilho deles era como um relâmpago, overá. Apenas a grávia escapou pulando para a margem. Upe kunha hye gwasu va’e ajekapa araka’e.
Os gêmeos pousaram ali. Quando estavam dormindo, lá pela meia noite, ouviram o rosnar de um animal e a lua perguntou ao irmão mais velho: - o que é isso?
- esta é a onça verdadeira, jaguarete. E assim eram o nome à onça.
Esta onça que estava gráfica deu à luz e era um macho o seu filho. Dali em diante, estes animais se reproduziram. E aumentaram tanto que hoje estão espalhados. Os gêmeos continuaram ali e a velha onça estava em casa.
Os gêmeos disseram um ao outro: - o que faremos para destruir a velha onça?
O Sol respondeu: - eu vou fazer meu mundéu bem ali. Vou usar sabugo de milho. Os gêmeos deixaram o sabugo pesado como se fosse de ferro e depois disseram à velha onça: - vó, vai olhar meu mundéu que está bem ali. Não está longe. A velha respondeu sim e perguntou como tinha de fqzer para arrumar o mundéu. E o sol disse para ela que tinha de entrar debaixo para arrumar o sabugo. E a velha onça entrou debaixo do mundéu para arrumá-lo.
Quando ela foi entrando debaixo o mundéu desarmou por cima dela e ela morreu. A velha onça chegou ao seu fim. E ali os gêmeos fizeram o animal chamado paca, jaixa, akutipáy.
REFERÊNCIAS E FONTES:
AQUINO, João. Mito dos Gêmeos In: Terra Indígena. Ano XV. N. 82. Outubro 2000. Araraquara: UNESP, 2000. P. 172-174.
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