Há muito tempo atrás, a onça convidou todos os bichos para uma festa na sua aldeia. Quando chegaram lá, os animais começaram a dançar com o Jaguarete, que dizia consigo mesmo: vou comer todos os estes bichos.
De reprente, o macaco (ka’i) esperto gritou e disse: - fiquem muito atentos porque este jaguarete quer devorar todos nós.
Ao mesmo tempo, o macaco tocava sua viola e ia cantando: - ponham o olho nela porque é hoje, ponham o olho no Xipoka’y, é hoje.
A tartaruga (karumbe) foi a primeira a falar:
- Eu já vou indo porque tenho as pernas curtas. E saiu lentamente.
Os demais bichos também fugiram e a onça correu atrás, mas alcançou apenas o karumbe.
O karumbe entrou numa toca, mas a onça colocou o sapo de guarda na entrada para a tartaruga não fugir.
A tartaruga era mais esperta que o jaguarete e mandou o sapo abrir bem os olhos, jogou areia e saiu correndo.
Assim que a onça voltou, perguntou ao sapo:
- A tartaruga saiu?
O sapo respondeu: - não !
A onça cavou um buraco e disse ao sapo: - vou queimar você.
- é disso que eu gosto, falou o sapo.
Então a onça disse:
- vou jogar você dentro do rio na água fria.
O sapo respondeu:
- prefiro que me jogue no fogo, pois é melhor.
A onça enfurecida jogou o sapo no rio, mas ele comemorou:
- obrigado dona onça, é do rio que eu gosto.
A onça não se deu por vencida e teve uma ideia.
- sapo, me ensine a nadar !
O sapo disse:
- pegue uma pedra bem grande, amarre na sua barriga e pule no rio.
A onça seguiu a orientação do sapo e a única lição que aprendeu foi a beber água.
REFERÊNCIAS E FONTES:
VERA, Kesley Bull. Histórias da Onça (Jaguarete). Paranhos – Aldeia Paraguasu, 2019.
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