Os mitos indígenas são narrativas esotéricas que conferem sentido à realidade e orientam a história. São narrados no âmbito familiar com variações geracionais e geográficas.

O tema do Jaguarete, onça, é assunto de uma grande quantidade de histórias narradas pelos falantes de guarani. A narrativa de hoje foi registrada foi Isael Lemes e Jessica de Souza, jovens estudantes da etnia kaiowá da Aldeia Te’ýikue, Caarapó, MS:  

Antigamente havia muito mato, onde havia vários animais. A onça era um deles. Animal feroz que pulava e matava o que achava pela frente.

Uma noite a onça encontrou o macaco. Ao vê-lo, o jaguarete fingiu ser inofensivo e disse ao macaco:

- Como vai, faz tepo que queria te encontrar !

O macaco respondeu:

- Tudo bem.

A onça, já impaciente, revelou-se:

- Agora vou te matar, te assar e saciar a minha fome.

O macaco respondeu:

- Não me mate, pois eu não vou matar a sua fome. Minha carne é muito pouquinha, vou procurar uma vaca bem gorda, vou espantá-la em sua direção para matá-la.

A onça depois de olhar bem a magreza do macaco, acreditou nele e falou:

- Está bem, onde espero a vaca gorda ?

O macaco disse ao jaguarete:

- Fique bem no meio daquela mata, me espere lá, quando eu gritar é sinal que a vaca gorda está indo na sua direção e você poderá matar sua fome.

A onça seguiu as orientações do macaco e foi esperar o rebanho no meio da mata. O macaco espertou aproveitou para fugir e colocar fogo no mato e gritou:

- Peoooo ! A vaca já está indo em sua direção.

A onça, acuada pelo fogo, escapou por pouco com os bigodes queimados.

Pela sua cobiça, o jaguarete foi enganado novamente pelo macaco.

 

REFERÊNCIAS E FONTES:

LEMES, Isael. SOUZA, Jessica. Jagaurete ha ka’i. Caarapó (MS): 2019.

 

NOTAS:

  1. Pesquisa, organização e adaptação: Neimar Machado de Sousa, doutor em história da educação (UFSCar) e pesquisador (FAIND/UFGD). Karai Nhanderovaigua. E-mail: neimar.machado.sousa@gmail.com
  2. O artigo tem objetivo educacional, é de caráter ficcional e tem formato adaptado às mídias sociais.
  3. A grafia adotada para as palavras indígenas segue as fontes consultadas.
  4. METADADOS: jaguarete, ka’i.
  5. IMAGEM: SAVALA, Geison. Jaguarete ha Ka’i. Dourados, MS: Teko Arandu, 2019.

 

Tags: jaguarete, ka’i.

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