A narrativa mítica dos gêmeos é uma interpretação dos fenômenos visíveis, invisíveis, pregressos, atuais e futuros. Esta narrativa foi contada por Rosalina Medina Kaiowá. Quando o Sol chegou à casa de sua mãe, ela cantou para ele.
A mãe do sol cantou para seu filho, pois ele chegou bem até sua casa. A mãe, nhandesy, amanheceu cantando para su filho Pa’ikwara. O lugar onde a mãe, Há’i, morava chamava-se Kolonha Nheypyrũ. Neste lugar havia um Nha’ẽ, era lugar de Nha’ẽũ e é chamado de Jasuka, porque ali tem os que cuidam. Este é o lugar das coisas que pertenciam à nossa mãe. Ali chegou o Pa’ikwara. Volte buscar seu irmão mais novo, disse a mãe.
Eu já vou, disse a mãe e no dia seguinte ele foi e levou consigo sua rede. Ela foi cantando. Ela foi para onde estava Nhande Ramõi Papá, no lugar onde estava seu marido.
A mãe, Nhandesy, disse para seu filho, Pa’ikwara: - eu vou te dar pão para comer no caminho com seus passarinhos. A mãe deu pão para ele e o Sol levou. No caminho caçou muitos passarinhos, mas não tinha como assá-los e a caça foi estragando. O Urubu (pirykwe), Tuiuiú (tujuju), Urubu branco (Yruvutῖ) e o kará (kará kará) descobriram o que havia acontecido com a caça do Pa’ikwara. O Sol perguntou aos antepassados dos pássaros: - o que estão olhando?
Foi então que os pássaros ancestrais fizeram o fogo e assim que a fogueira estive acesa, o Sol os espantaria, pois queria assar os seus passarinhos. Quando chegou o Pa’ikwara, os passarinhos já estavam estragados com bichos, kava’y, do mesmo modo que ocorre com a carne do mborevi. O dono destes bichos também estava onde chegou o Pa’ikwara, mas sua mãe já tinha ido embora. Ha upéi jeko he’i: ojatapyma ko hikuai, ha isy ja ohoma.
REFERÊNCIAS E FONTES:
GARCIA, Wilson Galhego. Mito dos Gêmeos. Assis: UNESP, out. 2000.
NOTAS:
Tags: Nhande, Nheypyrũ, Papá, Ramõi, jasuka, kava’y, nheypyrũ
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