As narrativas tradicionais sobre o Jaguarete são numerosas entre muitos falantes de guarani. Registrá-las pode ser uma ferramenta didática que fortalece os saberes indígenas frente à indústria cultural homogeneizadora.
Dizem que a onça resolveu fazer uma festa no alto das árvores para atrair o bichos para devorá-los. A condição para ser aceito na festa do Jaguarete era ter a boca pequena, para não concorrerem com o Xipoka’y.
Um dos bichos que queria ir à festa era o Jacaré, mas sua boquinha não permitia entrar na festa no alto das árvores onde havia uma aldeia das onças.
O jacaré teve uma ideia. Pediu para costurarem sua boca e deixar apenas um pedacinho aberto e partiu para a diversão.
Quando chegou havia muitos bichos e estavam todos animados bebendo chicha, kãgwῖ. O jacaré, que não resistia à bebida, começou a experimentar todas as bebidas de milho, de cana, de mandioca, de batata e guavira.
O jacaré logo ficou bêbado, kau, e ria sem parar. Não demorou muito para rasgar a costura de sua boca e revelar sua verdadeira identidade. A onça anfitriã descobriu que fora enganada, deu uma tapa no jacaré com sua mãozinha, popará, e acabou com sua festa.
REFERÊNCIAS E FONTES:
SOUZA, Andreza, GALHEGO, Wilson. Jasy ha pa’ikuara. Assis: UNESP, 2000 (1970). p. 138.
NOTAS:
Bem-vindo a
Laboratório de Pesquisas em História e Educação Indígena
© 2025 Criado por neimar machado de sousa.
Ativado por